ORIGEM/HISTÓRIA DA RAÇA

A raça tem sua origem na região de Cantal, localizada no Maciço Central da França, uma área caracterizada por relevo montanhoso, invernos rigorosos e pastagens naturais de altitude. Considerada uma das mais antigas raças bovinas francesas, sua formação ocorreu ao longo de séculos por meio da seleção de animais capazes de sobreviver e produzir em condições ambientais desafiadoras. O nome da raça deriva da pequena cidade de Salers, situada no departamento de Cantal, que se tornou o principal centro de desenvolvimento e difusão desses bovinos. A partir do século XIX, com a organização dos registros genealógicos e o aprimoramento dos programas de seleção, a Salers passou a ganhar destaque em outras regiões da França e posteriormente em diversos países. O reconhecimento de suas qualidades maternas, fertilidade, longevidade e facilidade de parto impulsionou sua expansão internacional, especialmente em sistemas de produção de carne baseados em pastagens.

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Historicamente, a raça foi selecionada para tripla aptidão, sendo utilizada para trabalho, produção de leite e produção de carne. Essa versatilidade permitiu que os criadores franceses desenvolvessem animais de grande resistência física, capazes de percorrer longas distâncias e enfrentar condições ambientais adversas. A partir do século XIX, os criadores passaram a direcionar a raça principalmente para a produção de carne e leite, consolidando o padrão racial atualmente conhecido. No Brasil, a introdução oficial da raça ocorreu em 1986, quando os criadores Danilo J. Agostini e Paulo S. Jardim, de Camaquã/RS, registraram junto à Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares um touro importado diretamente da França, abrindo o Herd Book da raça no país. Posteriormente, novos animais foram incorporados ao rebanho nacional por meio da importação de genética e da utilização de biotecnologias reprodutivas, contribuindo para a formação da base genética da Salers brasileira.

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PADRÃO RACIAL

É uma raça de dupla aptidão, destacando-se tanto para a produção de carne quanto para a produção de leite. Embora sua utilização moderna esteja direcionada principalmente para a pecuária de corte, a raça mantém excelentes características maternas, com elevada fertilidade, facilidade de parto e boa capacidade leiteira para a criação dos bezerros. Quanto à pelagem, a Salers apresenta predominantemente coloração vermelho-caju escura e uniforme. São admitidas diferentes tonalidades dentro desse padrão, desde o vermelho mais intenso até o castanho escuro, sendo comum a presença de pelos longos e ligeiramente ondulados. A pigmentação das mucosas é escura, contribuindo para sua adaptação a diferentes condições ambientais. A raça é tradicionalmente aspada, sendo os chifres uma de suas características mais marcantes. De coloração clara, os chifres apresentam formato de lira, projetando-se lateralmente e curvando-se para cima. Embora existam linhagens mochas desenvolvidas em alguns países, o padrão racial clássico da Salers é representado por animais portadores de chifres, que constituem um importante elemento de sua identidade racial.

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