ORIGEM/HISTÓRIA DA RAÇA
A raça teve origem na antiga província de Le Perche, localizada no noroeste da França, onde durante séculos foram selecionados cavalos que reuniam força, resistência e aptidão para o trabalho. Sua formação resultou do cruzamento dos cavalos locais com animais orientais, especialmente árabes, introduzidos em diferentes períodos da história francesa. Inicialmente utilizados como montarias militares durante a Idade Média, esses cavalos destacaram-se pela capacidade de transportar cavaleiros fortemente armados sem perder mobilidade e resistência. Com o declínio da cavalaria e a crescente necessidade de animais para transporte e agricultura, os criadores da região passaram a selecionar exemplares mais pesados, porém mantendo a elegância e a qualidade de movimentação herdadas de seus ancestrais orientais.
O nome Percheron já era utilizado antes do século XIX para designar os cavalos criados na região de Le Perche, mas foi nesse período que a raça adquiriu características suficientemente uniformes para ser reconhecida internacionalmente como uma raça distinta. Um dos animais mais importantes dessa evolução foi o garanhão Jean Le Blanc, nascido por volta de 1823-1824, considerado o principal fundador das linhagens modernas do Percheron. O primeiro Stud Book da raça afirma que a maioria dos melhores cavalos produzidos no Perche durante os cinquenta anos seguintes descendia dele. A organização oficial da raça ocorreu em 1883, com a fundação da Société Hippique Percheronne e a publicação do primeiro Stud Book Percheron de France, marco que estabeleceu o controle genealógico e os critérios de registro da raça. Naquele momento, o Percheron já possuía reputação internacional e era exportado em grande escala, especialmente para os Estados Unidos, onde se tornaria uma das principais raças de tração do continente. O Livro Genealógico não criou a raça, mas formalizou uma população equina que vinha sendo selecionada e aperfeiçoada há várias gerações.
No Brasil, os primeiros Percherons chegaram nas primeiras décadas do século XX, principalmente entre os anos 1920 e 1930. As importações foram destinadas ao trabalho de tração pesada, sendo a raça utilizada pelo Exército Brasileiro, por empresas de transporte e por propriedades rurais que necessitavam de animais fortes e resistentes. Sua docilidade, rusticidade e capacidade de trabalho favoreceram sua adaptação ao país, tornando o Percheron uma das mais importantes raças de tração introduzidas no Brasil antes da mecanização agrícola.
PADRÃO RACIAL
É um cavalo de tração de grande porte, de conformação compacta, comprimento médio a grande e musculatura poderosa, apresentando constituição robusta, ossatura forte, tendões e articulações bem definidos e peso médio de aproximadamente 900 kg. A altura média do adulto é de 1,66 m. A cabeça é fina e quadrada, de perfil retilíneo, com olhos vivos e salientes e orelhas pequenas e alertas; o pescoço é longo, musculoso e suavemente curvado, o peito é largo e profundo, a paleta inclinada e o dorso reto e curto. A garupa é bem desenvolvida e os membros devem apresentar boa estrutura óssea, articulações definidas e cascos sólidos. As pelagens reconhecidas são pretas e tordilhas, e o temperamento deve ser dócil e tratável, mas simultaneamente ativo e vigoroso. Seus andamentos incluem passo, trote e galope, destacando-se o trote por ser ágil, enérgico e elegante para um animal de seu porte.
Associação Promocional
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PERCHERON (ABP)
- Telefone: (598) 9835-2410
- E-mail: abp.percheron@gmail.com