ORIGEM/HISTÓRIA DA RAÇA
A raça Murray Grey surgiu nas primeiras décadas do século XX, em um contexto de forte adversidade na Austrália rural. Após longos períodos de seca, pecuaristas do sudeste australiano buscavam reconstruir seus rebanhos em um ambiente duro, porém fértil, especialmente nas regiões ao redor do Rio Murray. Foi nesse cenário que, em 1905, na fazenda Thologolong, Peter Sutherland adquiriu vacas Shorthorn para repor perdas, entre elas uma vaca roan clara chamada Strawberry. Ao ser acasalada com touros Aberdeen Angus, Strawberry passou a produzir, de forma consistente, bezerros de pelagem cinza, despertando inicialmente preocupação, mas também curiosidade sobre aquele padrão incomum.
Esses animais cinza, que mais tarde seriam chamados Murray Grey, logo mostraram características que os diferenciavam dos demais: docilidade acima da média, bom crescimento, excelente conversão alimentar, carne de qualidade superior e notável capacidade de adaptação. A combinação de pelagem cinza-prateada com pele pigmentada conferia proteção contra radiação solar e variações climáticas, contribuindo para a rusticidade em ambientes desafiadores. A partir da observação prática desses atributos, a família Sutherland, especialmente Ena e depois Helen Sutherland, optou por preservar e selecionar esses indivíduos, em vez de descartá-los como simples desvios de cor.
O desenvolvimento da raça se consolidou ao longo das décadas de 1930 a 1950, com a seleção criteriosa de um pequeno núcleo de matrizes e touros cinza por Helen Sutherland e com a ação decisiva de criadores como a família Gadd. A resistência das vacas que retornaram após a seca de 1945 reforçou a importância da adaptabilidade na base genética da raça. Posteriormente, experiências comerciais conduzidas por Mervyn Gadd comprovaram, em larga escala, a uniformidade, o desempenho e a qualidade de carcaça dos animais. Em 1962, a fundação da Murray Grey Beef Cattle Society em Walwa e a escolha oficial do nome “Murray Grey” marcaram a passagem de um “tipo” funcional para uma raça formalmente reconhecida, com Herd-books e critérios padronizados.
A partir desse marco institucional, a importância da raça Murray Grey na agropecuária se expandiu rapidamente, primeiro na Austrália e depois internacionalmente. O triunfo de 1967 na Commonwealth Carcase Competition, durante o Smithfield Show em Londres, ao conquistar os três primeiros lugares em carcaça, projetou a raça para o cenário global, evidenciando sua eficiência produtiva e qualidade de carne. Nas décadas seguintes, a expansão para outros países e continentes consolidou o Murray Grey como uma opção consistente em programas de produção de carne e cruzamento industrial, unindo rusticidade, docilidade e desempenho. Hoje, a raça representa um exemplo de como a observação prática, aliada à seleção técnica, pode transformar um evento genético improvável em uma ferramenta de alto valor para a pecuária moderna.
PADRÃO RACIAL
São animais de temperamento dócil, naturalmente mochos, de tamanho moderado, com fêmeas em torno de 450 a 650 kg e machos entre 750 e 900 kg. Apresentam boa constituição corporal, grande perímetro torácico e arqueamento de costelas, garantindo amplo espaço ruminal. A estrutura deve ser bem balanceada em comprimento, profundidade e abertura de costelas, com linha superior reta e forte, dorso e lombo amplos e bem musculosos, especialmente nas regiões de maior valor econômico da carcaça, como lombo e quartos posteriores. Pele e pelagem são pontos centrais na adaptabilidade da raça. A pelagem varia do cinza prateado ao cinza claro, cinza escuro, pardo e preto, admitindo-se alguns pelos brancos na linha inferior, mas não manchas brancas em outras regiões. O tom prata e os matizes de cinza são considerados os mais típicos e desejáveis.
Associação Promocional
Associação Brasileira de Murray Grey e Greyman (ABMGG)
Fundação - 16 de Abril de 2020
Sede: Parque Assis Brasil - Esteio/RS
Email: contato@murraygreybrasil.com.br